Inteiramente rodado no Distrito Federal, com ênfase em locações na Universidade de Brasília e Plano Piloto, Mapas acompanha a história de Júlia e Sérgio.
O filme é uma verdadeira declaração de amor a Brasília. Sua fotografia, as locações e as paisagens são encantadoras. A história é conduzida por Júlia, uma professora de artes plásticas da UnB e por Sérgio, mestrando em Arquitetura e Urbanismo na mesma universidade.
A atriz Roberta Rangel interpreta Júlia magistralmente e o ator Caíque Copque, que dá vida a Sérgio, também o faz de forma impecável. O encontro dos dois se dá de forma bem inusitada, mas muito pertinente ao tema subjacente da história. Isto porque a linha condutora do conflito é a busca por uma cicloativista desaparecida havia um ano.
O início do filme já dá o tom trágico, com um atropelamento de ciclista num cruzamento do Lago Norte. Júlia é uma pessoa de classe média alta, moradora do Setor Noroeste e vinda do Lago, um dos endereços mais caros do DF. Já Sérgio é um estudante baiano que mora numa satélite (provavelmente Taguatinga, mas não sei ao certo), que sobrevive da bolsa de mestrado e é entregador nas horas vagas.
A narrativa nos leva ao cenário sombrio das ruínas da UnB, antigo prédio abandonado há décadas. Ele teria servido para a instalação da Escola Superior de Guerra aqui, mas o abandonaram inconcluso. Embora inusitada, a amizade entre eles se fortalece quando ambos buscam pelo paradeiro de Rebeca, a ativista acima citada.
Também fazem parte do elenco atores veteranos do calibre de Murilo Grossi e Adriana Lodi, pai e mãe de Júlia e Sofia. A fotografia recorre a panorâmicas filmadas do alto, que dão a dimensão da desolação do Cerrado e da paisagem inóspita e hostil aos pedestres de Brasília. São muitas superposições de imagem.
“Mapas” mostra o passado oculto de Brasília
O filme não é uma história de amor, mas de dedicação e transparece, ao longo de toda a história, a melancolia e a solitude dos habitantes do “quadradinho”. Em vários momentos, Sérgio reclama da arquitetura e algumas cenas mostram a solidão em que ele vive. As únicas pessoas reais com quem tem contato na película são Júlia e Sofia.
O Roteiro de Lucas Gehre e Rafael Lobo é muito bem pensado, escrito e amarrado, sem sobras nem divagações desnecessárias. A direção deste último é impecável e nos leva a viajar pelos mapas, recantos e lugares ermos do Distrito Federal. Além disto, várias cenas documentais nos lembram da história da Vila Amaury, inundada quando ocorreu o fechamento das compotas do Lago Paranoá.
Além desta, há referência ao massacre dos trabalhadores na época da construção de Brasília. Estas são as cenas, para mim, mais impactantes, porque demonstram a ausência de empatia das classes altas com relação aos mais pobres. E esta mazela da sociedade brasileira permanece até hoje. Esse longa metragem belíssimo e imperdível teve sua apresentação no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
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Sinopse “Mapas”
Júlia e Sérgio partem em busca de Rebeca, uma cicloativista que sumiu. Deixando o coração de Brasília para trás, eles seguem os passos da ativista pelas margens e pela natureza do cerrado. Isso revela tragédias esquecidas, ruínas e histórias ocultas relacionadas à construção da capital. Com uma mistura de drama, mistério e elementos de horror, a história confunde o real com o fantástico e traz à tona os absurdos do passado.

Roberta Rangel está no elenco do filme Mapas
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Ficha Técnica
Direção: Rafael Lobo
Roteiro: Lucas Gehre e Rafael Lobo
Produção: Alisson Machado
Coprodução: Tao Luz e Movimento e Levante Filmes
Direção de Fotografia: Emília Silberstein
Direção de Arte: Lucas Gehre e Nadine Diel
Duração: 115 minutos
Elenco: Roberta Rangel (Júlia), Caique Copque (Sérgio), Bianca Terraza (Sofia), Pâmela Germano (Flávia), Gabriela Correa (Rebeca – voz) e Chico Sant’Anna
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Informações
Local: Vários Cinemas
Ingresso: Compre Aqui




