Exposição de Lua Kixelô Cavalcante inverte lógicas de acesso ao Museu Nacional da República e transforma acessibilidade em experiência estética e política.
Em sua segunda exposição individual, a artista visual, sambadeira de roda e pesquisadora indígena Lua Kixelô Cavalcante apresenta Muído em Aleijo ou Aleijo em Miúdos. Ela parte de sua vivência como pessoa com deficiência física, uma mulher que se autodefine como um corpo-artístico-político-pedagógico. Por conseguinte, constrói uma mostra que atravessa memória, espiritualidade popular, crítica institucional e fabulação política. Deste modo, questiona quem tem o direito de acessar, circular e pertencer.
A mostra, com curadoria de Gisele Lima e Likidah Mazindandú, traz como conceito central a acessibilidade entendida como direito fundamental e condição para participação plena na vida social e cultural. Por conta disto, a mostra investiga como o capacitismo estrutura espaços, instituições e relações sociais. Assim, produz diferentes formas de exclusão que frequentemente permanecem naturalizadas. Sua principal mensagem é direta: a deficiência não está nos corpos, mas nas barreiras que impedem sua participação plena.
Mais do que falar sobre corpos com deficiência, a exposição fala sobre um mundo construído a partir de uma ideia restria de normalidade. Ao deslocar a deficiência do lugar da ausência, da superação ou da excepcionalidade para o campo da produção de conhecimento, linguagem e crítica social, Lua propõe um diálogo direto com a realidade contemporânea. Enquanto as barreiras existirem, a obra permanece necessária.
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Experiência inédita no circuito brasileiro
O principal diferencial da exposição está no modo como transforma a acessibilidade em experiência estética, espacial e política. Concebida como vivência imersiva e interativa, o corpo do visitante se torna parte fundamental da obra. O núcleo central da mostra, a instalação Sala de Promessas, apresenta uma inversão radical e inédita das lógicas habituais de circulação: pessoas com deficiência podem acessar integralmente o ambiente, enquanto visitantes sem deficiência encontram restrições de acesso. Por conta disto, precisam observar a obra através de frestas e aberturas na estrutura.
Num gesto irônico e deliberado, Lua não busca produzir exclusão, mas tornar perceptível aquilo que pessoas com deficiência enfrentam diariamente. A experiência constante da impossibilidade, da restrição e da negociação permanente com estruturas que não foram pensadas para seus corpos. Trata-se de uma experiência rara no circuito artístico brasileiro e convida o público a refletir sobre os privilégios. Eles são normalmente invisíveis e associados ao acesso e à participação cultural.
Informações Muído em Aleijo ou Aleijo em Miúdos
Local: Museu Nacional da República
Artista: Lua Kixelô Cavalcante
Data: de 3 de julho a 30 de agosto, terça a domingo, 9h às 18h30
Classificação Indicativa: Livre
Entrada franca




