Na última sexta, o BSB Art esteve na celebração dos 37 anos da Fundação Cultural Palmares na CAIXA Cultural de Brasília.
A Fundação Cultural Palmares foi criada em 1992, por meio do Decreto nº 418. Demorou 104 anos, desde a assinatura da Lei Áurea para que a cultura dos afrodescendentes fosse reconhecida como formadora da cultura brasileira. Eu estive na Serra da Barriga em 2023 e pude perceber o quanto Palmares, com suas rainhas Aqualtune e Akotirene, é a verdadeira raiz do Brasil. O quilombo é frequentemente associado às figuras de Ganga Zumba e Zumbi, mas quem realmente determinava os destinos eram essas duas figuras matriarcais.
Sobre a Fundação Cultural Palmares, ela é a guardiã de nomes, heróis e heroínas da cultura negra no Brasil. Foram muitos anos para a construção deste memorial que quase foi apagado durante o governo da extrema-direita. Nesse período tivemos um verdadeiro capitão do mato tentando apagar os nomes relevantes.
– Continua Depois da Publicidade –
Nova direção a partir do governo Lula
Com a eleição de Lula, em 2022 e a nomeação de Margareth Menezes para o reimplantado Ministério da Cultura, a Fundação Cultural Palmares teve o privilégio de ter João Jorge alçado à presidência. Essa resistência é imprescindível, porque com muita luta o livro dos heróis pretos está sendo restabelecido. Nomes como Zezé Motta, Abdias Nascimento, Conceição Evaristo, Carolina de Jesus e Zélia Gonzalez, dentre muitos outros, voltaram a abrilhantar o panteão das celebridades.
A celebração contou com a participação do primeiro presidente da Fundação, Carlos Alves Moura, o embaixador da República de Cameroon, representante do Itamaraty, o presidente da Fundação Banco do Brasil, a Decana de extensão da UnB, Mãe Ana, do Axé Opô Afonjá. Além deles, o atual presidente, João Jorge e a ministra Margareth Menezes.
Shows e lançamento de livros
Após os eventos oficiais, que reconheceram duas comunidades quilombolas, uma de Parintins e a outra daqui de Santo Antônio do Descoberto, dois shows foram apresentados e livros lançados. E é importantíssimo ressaltar a presença maciça de personalidades negras na plateia. Zeladores de casas de Candomblé de diversas nações e vertentes, atores, trabalhadores e servidores da Fundação Cultural Palmares estavam presentes.
Houve show de Ana Mametto, Adão Negro, do grupo Obará. Além disso, o lançamento de dois livros fundamentais na luta antirracista: Cartilha de Denúncia: Racismo e Propostas Antirracistas na Educação e Pombagira – A Entidade Silenciada.