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Margareth Menezes e Ailton Krenak reforçam debate sobre justiça climática durante visita à Teia Nacional

Local:
Sesc Praia Formosa - Aracruz/ES

Evento Trouxe Reflexões Sobre Permanências, História dos Povos Originários, Resíduos e a Contemporaneidade

Artista percorreu a mostra Você Já Escutou a Terra?, que propõe reflexões sobre memória coletiva e relação entre humanidade e natureza.

A Terra Tem Todas as Respostas” é a reflexão que o ambientalista e filósofo lançou na visita à exposição “Você Já Escutou a Terra?“. Ela é uma das atividades da programação cultural 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da cultura em Aracruz/ES. Com a presença da Ministra Margareth Menezes e da curadora Karen Worcman, no Sesc Praia formosa, a exposição conta com proposta sensorial e imersiva. Além disto, promove reflexões sobre justiça climática, memória coletiva e a relação entre a humanidade e a natureza.

O encontro realizado o Salão Espanha, local da mostra, e norteou o debate sobre cultura, sustentabilidade e bem viver como temas estruturantes das políticas culturais brasileiras. Durante a visita, a titular da Cultura destacou que a presença da exposição dentro da Teia simboliza o reconhecimento e o acolhimento das culturas indígenas, tradicionais e comunitárias. Elas são parte essencial da identidade cultural brasileira. Segundo ela, iniciativas como esta fortalecem a visibilidade das narrativas dos povos originários e ampliam sua presença dentro das políticas públicas de cultura.

Além disso, Margareth definiu a Teia Nacional como um espaço de construção coletiva da diversidade cultural brasileira. Para ela, o encontro materializa diferentes modos de existir, criar e preservar os territórios culturais do País. “Hoje nós estamos materializando nessa Teia as possibilidades e as esperanças de continuação desse projeto de Brasil melhor, um País que acolha todos nós“, afirmou.

Sons da vida

Um dos destaques da mostra é o Manto, peça central construída coletivamente por comunidades e organizações culturais de diferentes regiões do Brasil. A obra foi confeccionada com resíduos reutilizados e tecidos costurados em processos colaborativos. Por isto, transformou materiais descartados em símbolos de memória, pertencimento e continuidade. “São estes resíduos que chamamos de ‘lixo’. São centenas de tirinhas de copos de plástico como os que me ofereceram“, comparou.

Na parte dedicada às pesquisas e reflexões curatoriais, Karen Worcman ressaltou a importância de pensar a justiça climática como um tema inseparável da vida humana. Além disto, é também essencial à preservação dos territórios. Durante a visita, a curadora citou estudos da arqueóloga e antropóloga Lyn Wadley, pesquisadora reconhecida internacionalmente pelas escavações na caverna Sibudu. Lá, foram encontrados registros feitos com carvão há aproximadamente 80 mil anos.

A comparação foi utilizada para provocar uma reflexão sobre a permanência dos resíduos produzidos atualmente pela humanidade. “Se um registro de fogo e carvão consegue se manter evidente por tanto tempo, imagina um copo plástico ou resíduo que o homem moderno utiliza e descarta todos os dias?“, observou a curadora. Além disto, a exposição incorpora elementos ligados à escuta profunda e à valorização das histórias de vida dos territórios brasileiros. Isto está na etapa Museu da Pessoa. Segundo os organizadores, o objetivo é estimular o público a ouvir não apenas as pessoas, mas também rios, florestas, silêncios e impactos ambientais produzidos pelas cidades contemporâneas.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reuniu agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais. Além destes, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil. O evento foi uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, em parceria com o IFES, o SESC, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Cristovam Freitas

Meu nome é Cristovam Freitas. Brasileiro, sexagenário, aficcionado por literatura, cinema e principalmente teatro. Tutor de caninos e felinos. Morando em Brasília, mas com o coração enterrado no Rio de Janeiro.

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