A atualização da peça de Mauro Rasi, Alta Sociedade é um retrato candente da atual situação da elite nacional.
Essa sátira escancarada de Mauro Rasi, com Julia Lemertz e Orã Figueiredo esteve em cartaz, em curtíssima temporada, no Teatro UNIP. O texto não é novo e eu já havia visto em 2001, estrelada por Fernanda Montenegro e André Valli. É uma belíssima comédia sobre as agruras de quem sempre viveu no luxo e tem de enfrentar a pobreza pela primeira vez.
Vinte e cinco anos depois, a nova versão traz muitos elementos da contemporaneidade e é uma delícia de assistir. Isto porque tanto Julia quando Orã são excelentes atriz e ator. Ela, na pele da socialite fútil e esbanjadora dá um show de interpretação e ele, na pele de um golpista falido, também encarna com primor o corrupto atual.
A narrativa começa com um Reveillon em Copacabana. Ambos moram num apartamento no lendário Edifício Chopin, o vizinho do Copacabana Palace. O apartamento foi a leilão por conta das dívidas e das falcatruas cometidas por Leopoldo. Por conseguinte, o cenário está enxuto e vemos apenas malas e canastras espalhadas no palco.
As tiradas cômicas e as falas racistas dão o tom da nossa burguesia, que mesmo decadente, não perde o ranço de superioridade. O retrato é irretocável: às vésperas de ser preso, Leopoldo planeja uma fuga do Brasil. Embora atualizada, há um detalhe importante: um telefone de disco, que toca e assombra os personagens.
A iluminação e o figurino também são muito adequados à peça. Tomás Ribas, o iluminador, fez um trabalho excepcional. A figurinista Karen Brusttolin é meticulosa e criou vestidos extravagantes de alta costura que realçam a história. A atualização do texto incorpora nomes que dominam as manchetes atuais. Aliás, isso é feito com muita naturalidade e amplia o tom satírico do espetáculo.
Obviamente, a montagem de 2001 era totalmente diferente, menos o deboche com a alta sociedade, que é sempre atual. Sylvia, a personagem de Julia, continua apaixonada por Proust, enquanto Leopoldo permanece ligado a Dom Casmurro, de Machado de Assis. A fala que mais me chamou a atenção em 2001 é quando Sylvia diz que vão morar sur le pont e, felizmente, esta fala continua no texto atualizado.
Por fim, é necessário elogiar grandemente Amanda Jordão, responsável pela atualização do texto. Ela consegue trazer esta sátira para os dias atuais com brilhantismo e deboche, sem sair do roteiro original. Faz isto para retratar a decadência e a perversidade da burguesia brasileira que, como a música do Cazuza diz, continua fedida.
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Sinopse “Alta Sociedade”
Sylvia e Leopoldo, dois milionários falidos, tentam escapar da Polícia Federal em plena noite de réveillon, fugindo do país. A comédia, ambientada no tradicional edifício Chopin, no Rio de Janeiro, ganhou uma atualização de Amanda Jordão, que retratou os personagens da época.

Orã Figueiredo e Julia Lemmertz
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Ficha Técnica “Alta Sociedade”
Elenco: Julia Lemmertz e Orã Figueiredo
Texto: Mauro Rasi
Direção: Emílio de Mello
Atualização de Texto: Amanda Jordão
Assistente de Direção: Raquel Karro
Designer de Luz: Tomás Ribas e Elisa Tandeta
Cenário: Chris Aizner
Figurino: Karen Brusttolin
Assistente de Figurino: Maria Luisa
Trilha Original: Ivo Senra
Programação Visual: Alexandre Furtado
Marketing Cultural: Gheu Tibério
Assistentes de Marketing Cultural: Paula Regos e Pedro Ribeiro
Visagismo: Fernando Ocazione
Fotos Divulgação: Nana Moraes
Idealização e Produção Geral: Edgard Jordão
Produção em Brasília: DECA Produções
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Informações “Alta Sociedade”
Local: Teatro UNIP – SGAS 913
Data : Encerrado
Duração: 80 minutos
Classificação Indicativa: 10 anos




