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“Felicidade Invisível” celebra três anos sem Alexandre Ribondi

Local:
Espaço Multicultural Casa dos Quatro
Peça Conta a História de Um dos Maiores Dramaturgos do Distrito Federal, Baseada em Entrevistas, Textos e na Memória do Diretor


Teatrólogo e jornalista, ele construiu as bases do teatro brasiliense, fundou o primeiro grupo de luta LGBT da capital e nos deixou há três anos.

Ribondi tinha só 15 anos quando o pai, seu Firmino, disse que já era grandinho o suficiente para ganhar o mundo. E do Espírito Santo, das matas, taruíras e onças, mudou-se para onde o irmão mais velho já habitava: Brasília. A cidade ainda não tinha nem 10 anos. De então até 2023, quando ainda jovem decidiu partir, Alexandre Ribondi dedicou mais de 50 anos da vida a construir o teatro e a linguagem teatral que a cidade teria. Criou o grupo Beijo Livre, o primeiro de luta por direitos LGBT do DF. Além disto, foi repórter do jornal Lampião, junto com Agnaldo Silva e de diversos outros periódicos, inclusive, foi cronista do Correio Braziliense.

Ele foi pioneiro em quase tudo o que se envolveu. Estava lá quando decidiu botar um sapato de salto alto em Cássia Eller e fazê-la usar em suas primeiras incursões pelos palcos. Era o musical “Gigolô“. Antes, estava lá quando da virada dos anos 70 para os 80 e, estimulado pelo cansaço que a Ditadura provocava, resolveu botar no palco “Crepe Suzette – O Beijo da Grapette“, o primeiro besteirol brasiliense. E antes de sentir o peso do cansaço, sofreu as dores da perseguição: foi preso, torturado e obrigado a se exilar.

Um guerreiro vencido pela melancolia e pelo cansaço da idade

Ribondi vinha sentindo a melancolia de quem lutou demais por tudo. Pela democracia, pelos direitos de populações minoritárias, como a própria a que pertencia, pela criação de uma linguagem teatral única. Em seus últimos anos, vinha sentindo o cansaço da cobrança de adequação. É engraçado isto, até. Ele dizia que lutava pelo direito à esquisitice, mas quando se tornou ‘velho’, começou a ser perseguido pela juventude do ‘usa o Google, não sou obrigado a te ensinar nada’. Essas incompreensões foram torturantes para ele“, revela o diretor Morillo Carvalho, amigo de sua intimidade e co-fundador da Casa dos Quatro.

O espetáculo se baseia em textos não dramatúrgicos do homenageado, com alguns pouquíssimos trechos de espetáculos. Para montar uma história tão complexa, o diretor se envolveu numa pesquisa profunda: recortes do último libro publicado por Ribondi e que dá nome a esta peça. Escritos em blogs antigos, falas em entrevistas à imprensa, depoimentos como o prestado à Comissão da Verdade da UnB. E, por óbvio, o arremate foi criado com base nas memórias de uma amizade profunda, iniciada em 2016, quando começaram a trabalhar juntos. Para que não falte compreensão, sua vida é contada em ordem cronológica, ainda que não-linear.

Ficha Técnica

Dramaturgia Adaptada e Direção Geral: Morillo Carvalho
Direção de Movimento e Coreografias: Irina Buss
Assistência de Direção: Helen Cris
Produção: Luli Neri
Produção e Imprensa: Drops Culturais Cultura e Comunicação
Elenco: Ana Elisa Santana, Carol Esteca, Edward Brando, Isabela França, Irina Buss, Jupiter Rodrigues, Luiza Melo, Morillo Carvalho e Tai Neri
Operação de Luz: Rui Miranda
Cenografia, Direção de Arte e Arte Gráfica: Morillo Carvalho
Fotos de Divulgação: Isabela França
Realização: Cia Ruiva de Teatro Ribondiano – Casa dos Quatro

Informações “Felicidade Invisível”

Local: Teatro Ribondi – Espaço Multicultural Casa dos Quatro
Data: 11 e 12 junho – 20h • 14 de junho – 19h
Classificação Indicativa: 14 anos
Ingresso: Clique Aqui

Cristovam Freitas

Meu nome é Cristovam Freitas. Brasileiro, sexagenário, aficcionado por literatura, cinema e principalmente teatro. Tutor de caninos e felinos. Morando em Brasília, mas com o coração enterrado no Rio de Janeiro.

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