O BsBArt assistiu, gostou do espetáculo da Cia Bife Seco de Curitiba e saiu profundamente impressionado com a montagem.
Humanismo Selvagem investiga as rachaduras de uma família decadente que construiu sua fortuna sobre uma herança de exploração. Durante a comemoração dos 100 anos do patriarca, a chegada inesperada de uma antiga empregada faz emergir traumas, segredos e violências. Eles estavam cuidadosamente escondidos sob aparente harmonia. O espetáculo mistura humor ácido, tensão psicológica e crítica social. Assim, transforma o ambiente doméstico num campo de batalha.
O texto é catártico e as personagens estão muito bem desenvolvidas, com destaque para Jeff Bastos, que faz o Marley. É o alívio cômico mais que necessário num texto recheado de atrocidades praticadas pela sociedade branca e elitista. Já no início somos confrontados com a empáfia da personagem Pola, vivida brilhantemente por Fernanda Magnani. Ela se acha muito italiana, e está aprontando a casa para a celebração do centenário do pai.
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O texto resulta de um processo de escrita e amadurecimento
O espetáculo tem um processo de escrita e amadurecimento dramatúrgico iniciado em 2013. Ao longo de uma década, o texto passou por sucessivas versões e acompanhou as transformações do debate público. Assim, aprofundou a investigação sobre as estruturas de poder, racismo e violência que atravessam a sociedade. De acordo com o autor e diretor Dimis, o tempo foi um elemento decisivo no processo.
Isto está claro na composição das demais personagens: a mãe, Linda, personagem de Eliane Campelli é uma amargurada com o casamento, que busca num treinador o refúgio para suas dores. Thomas, interpretado por Luiz Bertazzo, marido de Pola que só pensa no dinheiro. Jadson, papel de Sávio Malheiros, irmão adotivo e a personagem sem nome de Amanda Leal, filha do casal Thomas e Pola, de cujo nome nem a mãe se lembra.
A grande reviravolta acontece Djane, fabulosamente apresentada por Flávia Imirene Sabino, chega à casa, convidada por Jadson. A tensão entre os personagens cresce exponencialmente e as feridas e traumas são expostos. Pola se recusa a acreditar na verdade da opressão vivida por Djane e isso sublinha a hipocrisia das famílias tradicionais brasileiras. A partir daí, a plateia é apresentada à curva dramática de Pola, que enlouquece e começa a ofender Djane.
Embora a peça dure 120 minutos, o texto é tão bem amarrado que mal vemos o tempo passar. Os personagens estão admiravelmente bem construídos e a trama nos conduz ao desconforto da classe mais alta diante das opressões do patriarcado, da branquitude e do racismo.
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Informações Humanismo Selvagem
Local: Teatro da CAIXA Cultural Brasília – SBS
Datas e Horários: 26, 27 28 de fevereiro e 1º de março • Quinta a Sábado – 20h • Domingo – 19h
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
Ingresso: Compre Aqui




