Brasília tem a chance de ver uma peça emblemática de Samuel Beckett, autor irlandês e grande representante do Teatro do Absurdo.
O Teatro do Absurdo é um movimento do final da Segunda Guerra Mundial, que procurava denunciar as situações inusitadas que o ser humano se submeteu. Um dos maiores expoentes deste movimento é o irlandês Samuel Beckett. O primeiro texto dele montado no Brasil foi o clássico Esperando Godot. Até 21 de junho, Brasília tem a oportunidade de assistir a outro destes clássicos: Fim de Partida, que acontece no Teatro da CAIXA Cultural.
Esta montagem tem direção de Rodrigo Portella e dá ao texto uma compreensão profunda. Todos os aspectos importantes do movimento estão ali retratados. São eles: o sentido tragicômico, a exploração da vida e dos sentimentos humanos fazendo críticas à sociedade, quadros desconectados, personagens presas a situações insolúveis. Além destas, as personagens estão forçadas a executar ações repetitivas ou sem sentido, enredos cíclicos, paródia ou desligamento da realidade e influência do surrealismo.
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Espetáculo quebra a quarta parede
A peça inicia com uma trilha sonora contundente, marcial e que lembra as regiões da Europa Oriental e dão o clima do que virá a seguir. A imobilidade de Hamm, interpretado magistralmente por Marco Nanini, e a paradoxal mobilidade de Clov, vivido por Guilherme Weber. Deste último, destaco a incrível fisicalidade. A postura corcunda e o aparelho que o impede de mover a perna esquerda incomodam profundamente.
Outro destaque importante é o cenário criado por Daniela Thomas. Uma caixa de madeira oprime os personagens, presos a esta situação de dependência mútua. Beto Bruel, responsável pela iluminação, também merece ter o trabalho exaltado. Ele utiliza um recurso, próximo ao final do espetáculo, que eu havia visto na peça Oresteia: uma luz ofuscante voltada para a plateia. Isto faz o papel de quebra da famosa quarta parede, uma vez que os atores podem ver a assistência, uma raridade em produções teatrais.
Por fim, é preciso ressaltar as interpretações de Helena Ignez e Ary França. Atriz e ator estão no canto do palco, confinados a dois latões de lixo e são os pais de Hamm. Fazem com perfeição o contraponto cômico/absurdo do espetáculo. Além disto, é muito gratificante ver uma sala de espetáculos lotada e aplaudindo de pé uma peça de dificílima compreensão.
Um espetáculo imperdível, em cartaz até 21 de junho.
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“Fim de Partida” está em cartaz no Teatro da CAIXA Cultural
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Ficha Técnica
Direção: Rodrigo Portella
Elenco: Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary Franca
Tradução: Fábio de Souza Andrade
Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas
Iluminação: Beto Bruel
Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi
Figurino: Antonio Guedes
Assistência de Direção: Zé Mancini
Visagismo: Leila Turgante
Comunicação: Pedro Neves
Gerência de Projetos: Carolina Tavares
Produção Executiva Montagem: Ártemis
Produtor: Fernando Libonati
Produção: Pequena Central de Produções
Assessoria de Imprensa Local: Território Comunicação
Informações “Fim de Partida”
Local: CAIXA Cultural Brasília – SBS
Temporada: Até 21 de junho
Data: 9 e 21 de junho – terça a sexta – 20h • sábado e domingo – 18h. Excepcionalmente no sábado, 13 de junho, a sessão será às 17h
Duração: 90 minutos
Acessibilidade: Sessões aos domingos contam com intérprete de Libras
Classificação Indicativa: 16 anos
Acesso para pessoas com deficiência
Estacionamento: Gratuito aos finais de semana, feriados e, de terça a sexta, a partir das 18h
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal
Ingressos: Na Bilheteria do Teatro e no site Bilheteria Cultural




