Entre o tribunal, o oráculo e a prisão, o espetáculo atualiza o método socrático para o presente e confronta o público com questões essenciais à existência.
O Grupo-Teatro Caleidoscópio está há mais de 30 anos dedicado à criação de espetáculos que articulam teatro, estética, filosofia e debate público. Agora apresenta sua nova montagem: Cicuta (ou Um Tal de Sócrates). A peça acompanha o julgamento e a morte do filósofo grego Sócrates, apresentado não como monumento da filosofia, mas um homem perigoso por ensinar jovens a pensar e a insinuar a existência de novos deuses.
O público é confrontado com perguntas sobre obediência, educação, democracia e responsabilidade. “Em um momento eleitoral decisivo, é imprescindível falar sobre a importância do voto automático, do medo do outro e da influência da mídia. Assim, convido especialmente os jovens eleitores a refletirem além dos clichês ideológicos“, afirma o diretor e dramaturgo André Amahro.
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Pensamento crítico como ato ético
Sem indicar posições políticas, a peça afirma o pensamento crítico como ato ético e lembra que, como dizia o filósofo, “uma vida sem exame não vale a pena ser vivida“. Tudo o que se sabe sobre ele foi escrito por Platão e outros pensadores da época. A dramaturgia segue, principalmente, as fontes platônicas, como os quatro diálogos referentes ao julgamento e à morte de Sócrates, que funcionam como verdadeiras tragédias. “Considerando que a intenção original de Platão era ser dramaturgo, daí a história de Sócrates em diálogos, como uma peça de teatro. É possível ver o filósofo como um herói trágico da mesma estatura de Édipo e Hamlet, por exemplo“, analisa o diretor.
Feminismo singular
Estão na peça as atrizes Vanessa Di Farias (Sócrates), Sandra Regina (Meleto), Flávia Neiva (Anito) e Raquel Aló (Pitonisa), além do multi-instrumentista Elias Santos, que faz a trilha sonora original. Majoritariamente feminina, a composição do elenco surge como um acaso da própria configuração do grupo. Todavia, revela uma camada conceitual potente do espetáculo: uma estética anti-gênero, na qual o corpo das atrizes é entendido como instrumento ficcional. E ele é livre para a criação de personagens, para além de papeis fixados por identidade. Ao mesmo tempo, este dado acidental ganha força política e poética, ao apontar um lugar de feminismo singular. Nele, as personagens podem ser vistas como mulheres dizendo a outras mulheres o conteúdo filosófico da peça.
Ficha Técnica
Dramaturgia e Direção geral: André Amahro
Elenco: Vanessa di Farias, Flavia Neiva, Sandra Regina e Raquel Aló
Iluminação: Claudio Lago
Produção: Grupo Caleidoscópio
Direção de Arte e Fotografias: André Amahro e Claudio Lago
Trilha Sonora Original e Direção Musical: Elias Santos
Apoio: Sindilegis, NNC e Incentivo cultural
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Informações “Cicuta (ou um Tal de Sócrates)“
Local: Teatro Engrenagem, SHCGN 708/709, Bloco B, Entrada 30, Subsolo
Temporada: 31 de julho a 9 de agosto
Horários: Sextas às 20h e sábados e domingos às 18h
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos
Ingresso: Compre Aqui




