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Ópera “Venus and Adonis” circula pelo DF com entrada franca

Local:
Teatros Paulo Autran e Paulo Gracindo
Ópera Barroca Inglesa Questiona e Subverte o Papel Feminino na Condução da História


Montagem do Conosco Coletivo de Criadores traz à cena antiga ópera inglesa com uma reflexão política e feminista de mais de 300 anos.

Brasília recebe um feito para a música erudita: a circulação da obra barroca Venus and Adonis, de John Blow, em montagem completamente encenada. O projeto é uma realização do Conosco Coletivo de Criadores e ocupará os palcos do Sesc Taguatinga e do Sesc Gama. Considerada pelo dicionário Grove de Música como o mais antigo exemplo de ópera inglesa, a peça é anterior até mesmo à célebre Dido and Aeneas, de Purcell.

Todavia, o que torna a obra disruptiva para seu tempo é o conteúdo subversivo. Longe de ser uma mera celebração da realeza, o espetáculo funciona como uma crítica velada ao rei Charles II. Com o subtítulo A Masque for the Enterteinment of a King, a ópera utiliza a mitologia e a alegoria da caça para satirizar os costumes da corte e as aventuras amorosas do monarca.

Libreto escrito por uma mulher

O aspecto revolucionário da obra se estende ao seu libreto, atribuído à poeta Anne Kingsmill. Numa época em que a mulher tinha pouca ou nenhuma agência na sociedade e nas artes, ela entrega uma narrativa revolucionária. Nela, Vênus, uma figura feminina, é a força motriz de toda a tragédia. A obra subverte o mito original. Na versão de Blow, a condução do destino dos amantes é conduzida pelas artimanhas e complexidade de Vênus, ao invés do ímpeto masculino de Adônis. Trata-se de uma das primeiras vozes do feminismo nos palcos da ópera. Ela retrata a mulher como uma figura poderosa, multifacetada e capaz de conduzir o enredo.

O formato e a montagem

Venus and Adonis é classificada como masque, uma forma de “semi-ópera” típica da Inglaterra. Diferente da ópera tradicional, a música não serve apenas para conduzir a narrativa, mas surge como interlúdio. Ela cria uma estrutura de continuidade e se mostra extremamente moderna para o espectador contemporâneo. Esta característica permite à direção criar estratégias cênicas inovadoras e elas mantêm o interesse do público por meio de imagens e metáforas.

Para esta montagem em Brasília, o Conosco Coletivo de Criadores, formado por Cecília Aprigliano, André Vidal e Mônica Monteiro, reuniu um time de peso. A direção musical é assinada por Cecília Aprigliano e André Vidal, que também atuarão como instrumentistas, enquanto a regência fica a cargo de David Castelo. A concepção moderna da obra, que mescla a música renascentista com o olhar do homem do século XXI, fica por conta da direção artística do premiado artista plástico Gê Orthof, responsável pela concepção plástica e cenário, e da direção cênica da coreógrafa e bailarina Giselle Rodrigues. A concepção do figurino ficou a cargo de Nina Monteiro, quanto Monica Monteiro assume a coordenação geral.

Informações Venus and Adonis

Local: Teatro Paulo Autran • Sesc Taguatinga Norte – CNB 12, Área Especial 02/03
Data: 21 a 22 de março • Sexta às 20h e Sábado às 19h
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 60 minutos
Entrada Franca

Local: Teatro Paulo Gracindo • Sesc Gama – Setor Leste Industrial, Lotes 620, 640, 660 e 680
Data: 27 a 29 de março • Quinta: sessão para Escolas – 15h30 • Sexta – 20h • Sábado – 19h
Classificação Indicativa: Livre
Duração: 60 minutos
Entrada Franca

Cristovam Freitas

Meu nome é Cristovam Freitas. Brasileiro, sexagenário, aficcionado por literatura, cinema e principalmente teatro. Tutor de caninos e felinos. Morando em Brasília, mas com o coração enterrado no Rio de Janeiro.

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