Filme dirigido por Aurélio Michiles e protagonizado por Bruno Gagliasso revisita a trajetória do líder estudantil da UnB, desaparecido durante a ditadura militar, e resgata sua história para novas gerações.
A quarta-feira do cenário cultural e político de Brasília foi movimentada pela pré-estreia de Honestino, filme que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13). Com Bruno Gagliasso no papel principal, o longa combina elementos de ficção, documentos históricos e depoimentos para reconstruir a trajetória de um dos mais importantes líderes estudantis brasileiros: Honestino Guimarães.
O filme se apoia em cartas, poemas e imagens de arquivo do próprio Honestino, além de depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância, como Almino Afonso, Jorge Bodanzky e Franklin Martins. O roteiro é assinado por Aurélio Michiles e André Finotti. A inspiração para o projeto surgiu a partir de um vídeo publicado pelo neto de Honestino, Lucas Lopes, durante a reinauguração, em Brasília, da ponte que leva o nome do líder estudantil.
Amigo de Honestino na juventude, Michiles acompanha desde 1968 a trajetória e a memória do estudante. Durante a divulgação do filme em Brasília, o roteirista ressaltou a dificuldade de reunir registros daquele período. Segundo ele, os arquivos são raros porque, em meio à repressão da ditadura militar, muitas pessoas evitavam registrar em imagens as ações e os acontecimentos relacionados à resistência. Ainda assim, sobreviveram fotografias de Honestino e registros importantes, como o filme realizado por um estudante durante a invasão da Universidade de Brasília (UnB), em 1968.
“Nosso propósito é não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo. O ontem é hoje e o hoje pode ser o futuro”, definiu Michiles.

Equipe do BSB Art esteve na coletiva da pré-estreia do filme Honestino
Bruno Gagliasso também destacou a dimensão política e histórica do projeto. O ator afirmou que escolheu a carreira artística e o cinema por acreditar na capacidade da arte de transformar a sociedade.
“Conhecer nossa história é, de fato, fazer alguma coisa pelo mundo. Não deixar ela ser apagada por essas pessoas que tentaram isso durante anos”, declarou. Gagliasso contou ainda que não conhecia a história de Honestino antes do projeto e disse querer que seus filhos conheçam a trajetória do estudante. “Quero que meus filhos saibam quem foi Honestino Guimarães, quero que eles tenham orgulho das minhas escolhas profissionais, quero que esse filme chegue na maior parte do Brasil e, se possível, no mundo”, disse Gagliasso.
Um filme que mostra a resistência estudantil
Mais do que uma cinebiografia, Honestino é um filme sobre memória coletiva. Ao recuperar a trajetória de um jovem que se tornou símbolo da resistência estudantil à ditadura, o longa também convida à reflexão sobre os limites da intolerância política e sobre a importância de preservar os registros de períodos marcados pela violência de Estado. A história de Honestino ganha, assim, uma dimensão que ultrapassa sua trajetória pessoal: lembrar quem ele foi também significa discutir como a democracia é construída, preservada e defendida ao longo do tempo.
O lançamento nacional de Honestino, dirigido por Aurélio Michiles e distribuído pela Pandora Filmes, está marcado para 13 de agosto de 2026. O filme chega aos cinemas em um momento em que revisitar a história brasileira continua sendo fundamental para compreender os desafios do presente e a importância da preservação dos valores democráticos.
Quem foi Honestino?
Nascido em 28 de março de 1947, em Itaberaí (GO), Honestino Guimarães ingressou na Universidade de Brasília em 1965, após ser aprovado em primeiro lugar no vestibular para o curso de Geologia. Ainda jovem, destacou-se no movimento estudantil e se tornou uma das principais lideranças da UnB durante os primeiros anos da ditadura militar.
Em 1968, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes da UnB. No mesmo ano, foi preso durante a invasão militar da universidade e posteriormente expulso da instituição. A partir de então, passou a viver na clandestinidade e continuou atuando contra a ditadura. Em 1973, aos 26 anos, foi sequestrado por agentes da repressão e desapareceu. Seu paradeiro permaneceu desconhecido durante décadas.
A morte de Honestino foi oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro em 1996, mas seus restos mortais jamais foram localizados. Em julho de 2024, mais de cinco décadas depois de sua expulsão da universidade, a UnB entregou à família o diploma póstumo de Honestino Guimarães, reconhecendo simbolicamente sua trajetória acadêmica interrompida pela repressão.
Honestino estreia hoje nos cinemas
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Sinopse “Honestino”
Fusão de documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração 68, presidente da UNE e aluno da UnB. Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é um dos centenas de desaparecidos da ditadura militar. Baseado em cartas, poemas e imagens de arquivo, dezenas de depoimentos de familiares, amigos e militantes e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso.
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Pôster do filme Honestino
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Ficha Técnica
Direção: Aurélio Michiles
Roteiro: Aurélio Michiles e André Finotti
Produtor: Nilson Rodrigues
Produção Executiva: Caetano Curi
Elenco: Bruno Gagliasso
Direção de Fotografia: André Lorenz Michiles, ABC
Direção de Arte: Kita Flórido
Figurino: Isabel Lorenz Michiles
Montagem: André Finotti
Supervisão de Edição de Som: Miriam Biderman, ABC
Desenho de Som e Mixagem: Ricardo Reis, ABC
Trilha Sonora Original: Flavia Tygel
Música Tema (intérprete): Fafá de Belém
Pesquisa de Arquivo: Aurélio Michiles, Mariana Couto, Patricia Freyer, Tereza Eleutério
Produtora: Mercado Filmes
Distribuição: Pandora Filmes

Bruno Gagliasso interpreta Honestino Guimarães
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Informações
Local: Breve nos cinemas
Ingresso: Compre Aqui




