Mostra inédita na Casa da Cultura da América Latina, no SCS, expõe cerca de 120 itens do Acervo Doéthiro, com objetos etnológicos, fotografias históricas e obras raras.
Álvaro Tukano, liderança indígena do povo Yepá-Mahsã é uma das grandes vozes pela luta dos direitos indígenas no Brasil e na América Latina. Esta exposição rememora sua trajetória por meio do acervo particular do artista. Ele reúne mais de três décadas de militância e liderança. A mostra ocupará a Casa da Cultura da América Latina (CAL/UnB).
Objetos oriundos do Xingu, como um chapéu de palha da etnia Karajá, cestos de fibra de arumã, da etnia Baniwa são parte da coleção etnológica. Já na coleção de obras raras, uma seleção inédita de livros escritos na língua do povo Yepa-Mahsã, a língua tukano. Além disso, o acervo Doéthiro reúne objetos etnológicos, documentos históricos, fotografias e obras literárias raras.
O título da exposição é inspirado na cosmologia do povo Yepa-Mahsã e o nome de batismo de Álvaro Tukano. Ele se refere ao espírito do primeiro homem e é quem atravessa mundos e conecta tempos. Esta é a simbologia organizadora do acervo: um dispositivo de memória viva, tecido por redes de parentesco, cuidado, luta e conhecimento tradicional.
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Preservação e apresentação do acervo
Mais do que uma coleção particular, o Acervo Doéthiro transforma a memória individual de Álvaro Tukano em patrimônio coletivo. Sua apresentação ao público cumpre funções fundamentais para a sociedade como um todo. Primeiro, o acervo reflete a luta dele em prol do movimento indígena nas últimas cinco décadas, período de grandes transformações e conquistas de direitos no Brasil.
Segundo, oferece material concreto para estudantes, pesquisadores e comunidades indígenas conhecerem e se reconhecerem em sua própria história. Terceiro, propõe um modelo descolonizado de gestão de acervos. Este é baseado no gerenciamento compartilhado entre a comunidade indígena e especialistas em ciência da informação.
Por fim, insere a memória indígena num diálogo continental, reafirmando que os povos originários são parte viva e fundamental da América Latina. Todas as peças da exposição passaram por rigoroso processo de higienização, acondicionamento, inventário e digitalização. Isto garante a preservação física e documental. O acervo está disponível digitalmente na plataforma Tainacan, tecnologia desenvolvida na UnB, assegurando acesso público e qualificado a esse patrimônio no endereço www.acervo.doethiro.com.
Álvaro Tukano: seu papel histórico na luta dos povos indígenas
Álvaro Tukano é liderança indígena do povo Yepá-Mahsã, do Alto do Rio Negro/AM. A trajetória do artista atravessa momentos decisivos da história recente do Brasil. Desde os anos 1970, atuou na articulação política nacional e internacional. Além disto, participou da construção de políticas públicas para povos indígenas e ocupou cargos de destaque, como o de diretor do Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília.
A vida dele é marcada por um duplo movimento: lutar por direitos em espaços institucionais e manter vivas as tradições, rituais e saberes de seu povo. Foi justamente nesse atravessamento entre mundos – o da aldeia e o da cidade, o da cosmologia indígena e o das políticas públicas, que nasceu o Acervo Doéthiro.
O papel histórico de Álvaro inclui a participação em assembleias nacionais e encontros interétnicos. Eles ajudaram a consolidar os direitos indígenas na Constituição de 1988. Além de décadas de resistência contra a violência e o apartheid territorial que ainda afetam os povos originários na América Latina.
Programação gratuita
Além da exposição, o projeto promove duas atividades abertas ao público: a oficina “Gestão de Acervos Digitais no Tainacan“. A atividade oferece uma introdução prática à plataforma Tainacan, com testagem colaborativa do site do Acervo Doéthiro. Ela é voltada a estudantes, profissionais e interessados em museologia, arquivologia e biblioteconomia.
Local: Laboratório de Informática da Faculdade de Ciência da Informação (FCI/UnB)
Data e horário: 15 de junho, de 14h às 18h
Entrada franca
Roda de conversa com Álvaro Tukano, um diálogo direto e aberto ao público sobre memória, cultura, território e trajetória política dos povos indígenas.
Local: Auditório da FCI/UnB
Data e horário: 16 de junho, de 14h às 18h
Entrada franca
Informações “Vida e Luta de Álvaro Tukano: Acervo Doéthiro”
Local: Casa da Cultura da América Latina da UnB, SCS, Quadra 04, Bloco A, Edifício Anápolis
Data: Abertura 28 de maio e continua até 25 de junho.
Classificação Indicativa: Livre
Entrada franca




