Espetáculo repaginado mostra transformação amorosa de relação entre mãe e filho depois de uma noite de revelações estreia na Casa dos Quatro.
Quando foi que a vida te apresentou uma última grande verdade ou te revelou algo potencialmente destrutivo pela última vez? Em Dicionário das Coisas que Nunca Existiram, um homem adulto resolve pôr fim ao caos que a mãe, com Alzheimer, provoca em sua vida. Ele mandá-la-á para um asilo, junto com suas memórias confusas e frases desconexas. É quando, numa madrugada, tudo muda. Um espetáculo em que a crueldade se revela cruamente e o amor se mostra resultado de esforço e construção. Isto porque nele, a vida complexa de uma imigrante italiana, fotógrafa de guerras mundo afora, agora está prestes a sucumbir ao abismo das memórias.
A peça discute, de forma direta, questões como etarismo, abandono parental, senilidade. Ela revela onde o amor sobrevive. O texto é de Alexandre Ribondi e esta é a quarta temporada do espetáculo. Ele vem sendo apresentado em Brasília desde 2017. Agora, repaginado na estrutura e na forma, tem direção e atuação de Morillo Carvalho e atuação de Helen Cris. A produção é da Cia Ruiva de Teatro Ribondiano, fundada pelo teatrólogo em 2016 e agora é a companhia que conserva seu legado em cena.
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O texto exacerba a capacidade de ler o mundo metaforicamente
O próprio Ribondi dirigiu Helen e Morillo em 2017, no começo desta história. “É a peça da Casa dos Quatro. Nós a apresentamos na pré inauguração, quando sequer havia arquibancada. Depois, foi a primeira peça encenada lá. Quando mudou de endereço, também foi a primeira a se apresentar, porque é o texto em que o mestre (Ribondi) expõe toda a potência lírica. Faz isto sem deixar de falar de realidades duras“, diz Helen Cris.
Para Carvalho, que nesta temporada cuidou de, pela primeira vez, fazer a direção do espetáculo, a responsabilidade foi apresentar novidades para um texto já encenado diversas vezes. “Como é um texto que exaceba toda a capacidade de ler o mundo de modo metafórico, mexer em suas estruturas seria aviltante para com a memória de Alexandre Ribondi. Então, fui buscar o que é possível na forma. Deste modo, escapamos dos cenários e atuações estritamente realistas para colocar o espetáculo em suspensão. Trata-se de um delírio, um devaneio?“, questiona, mas deixa a resposta para o espectador.
Renovação cenográfica
Morillo se inspirou nas caixas acumuladas nas casas de seu pai, tios paternos, avô materno e no próprio hábito de acumular para criar a cenografia renovadora da proposta do espetáculo. É como se o espectador entrasse num mundo de papel e papelão. Como se cada caixa guardasse segredos, memórias e mistérios e cada compartimento correspondesse a um verbete de um dicionário dessas coisas que nunca existiram, mas que são reveladas e transcritas no decorrer da peça. Não perca. Você vai se emocionar e quiçá se transformar.
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Ficha Técnica
Texto: Alexandre Ribondi
Direção, cenografia e concepção de som e luz: Morillo Carvalho
Elenco e produção: Helen Cris e Morillo Carvalho
Cenotecnia, som e luz: Rui Miranda
Assistência de produção: Pedro Lucas
Fotos: Isabela França
Realização: Cia Ruiva de Teatro Ribondiano
Informações “Dicionário das Coisas que Nunca Existiram”
Local: Teatro Ribondi – Espaço Multicultural Casa dos Quatro
Data: 18 e 20 de junho, às 20h e 21 de junho, às 19h
Duração: 50 minutos
Ingresso: Clique Aqui




