O espetáculo Sonho Elétrico, da Companhia Brasileira de Teatro, mistura música, dança, poesia e está em cartaz no CCBB Brasília.
O cenário enxuto e os figurinos brilhantes dialogam o tempo todo com esse espetáculo. Ele é, portanto, uma espécie de fusão entre Bertolt Brecht e Zé Celso Martinez Corrêa. Música, dança e poesia se misturam de forma harmônica para nos levar a uma reflexão profunda do momento que atravessamos.
Uma das estratégias cênicas utilizada com frequência é a repetição dos textos. Parece aborrecido, mas é algo que nos perpassa. Temos pensamentos recorrentes durante o dia todo e isso pode ser muito perturbador em alguns aspectos. As pequenas cenas vão se desenrolando, mas não contam uma história, não são a narração da fatia de vida de um ou de vários personagens, como estamos mais acostumados em peças teatrais.
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Liberte sua mente antes de assistir Sonho Elétrico
Sonho Elétrico tem um elenco bem equilibrado, principalmente tendo em conta de que não se trata de uma criação de personagem propriamente dita, mas de personas que se substituem nas peles das atrizes e do ator em cena. A plateia é bombardeada com ideias libertárias meio soltas e reflexões contemporâneas durante todo o espetáculo, recheado com canções feitas apenas para a peça e outras de sucesso.
Uma das passagens que mais chama a atenção é o momento em que o elenco performa de quatro, simulando uma tribo de bonobos. É um elemento diegético ulterior fundamental para a compreensão do todo desse espetáculo.
Os bonobos são primatas, nossos parentes na linha evolutiva, e têm um comportamento tribal muito interessante: além de serem matriarcais, resolvem seus conflitos por meio de relações sexuais e afetivas. Ou seja, nós humanos temos muito a aprender com eles.
“É improvável determinar no tempo e na experiência o ponto exato onde nasce a ideia de um trabalho artístico e quando ele começa de fato. Esta peça de teatro é parte de um contexto mais amplo, que envolve uma pesquisa e ela gerou outras criações com desdobramentos futuros.” São as palavras de Márcio Abreu sobre o espetáculo.
É ainda digno de nota a presença elegante de um piano de quarto de cauda, tocado por um pianista excelente. Eles preenchem a cena com um refinamento paradoxal e dão um tom clássico ao espetáculo como um todo.
Por fim, é uma peça que deve ser vista com muita atenção pela plateia, porque trata de temas contemporâneos e pulsantes. A política e a subversão, na minha opinião pontos essenciais em todo espetáculo teatral, estão presentes o tempo todo. Conclamo a todos a assistirem com a mente liberta dos preconceitos do teatrão tradicional.
Sinopse ‘Sonho Elétrico’
Em Sonho Elétrico, uma artista e integrante de uma banda (Verónica Valenttino) é atingida por um raio. Em estado de coma, a protagonista navega pelo limiar entre vida e morte, explorando memórias, sonhos e a possibilidade de despertar para uma nova chance. A narrativa se desenvolve como um percurso sensível na mente de uma artista, servindo como metáfora para a iminência do fim e as oportunidades de transformação que podemos ter enquanto comunidade planetária.
Ficha Técnica
Texto e Direção: Marcio Abreu
Pesquisa e Criação: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria
Elenco e Criação: Verónica Valenttino, Jessyca Meyreles, Idylla Silmarovi e Cris Meirelles
Interlocução Teórica e Criativa: Sidarta Ribeiro
Direção Técnica, Iluminação e Assistência de Direção: Nadja Naira
Direção de Produção e Administração: Cássia Damasceno e José Maria
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Felipe Storino
Colaboração Criativa Musical: Juliana Linhares
Direção de Movimento e Colaboração Criativa: Key Sawao
Assistência de Direção e Colaboração Criativa: Fábio Osório Monteiro
Música “Armadilha”: Juliana Linhares e Caio Riscado
Música “Emaranhada”: Juliano Holanda
Música “Sonho Elétrico”: Juliana Linhares e Marcio Abreu
Pianista em Cena: Luís Chamis
Figurinos: Luiz Cláudio Silva | Apartamento 03
Cenografia: Marcio Abreu, José Maria e Nadja Naira
Assistência de Dramaturgia e Colaboração Criativa: Aislan Salomão
Assistência de Produção e Arte: Taís Morgado
Design e Técnico de Som: Felipe Storino
Técnicos de Luz e Programação: Ricardo Barbosa e Sibila Gomes
Assistência de Cenografia e Desenhos Técnicos: Luana Gattoni
Execução Cenográfica: Douglas Caldas e Alexander Peixoto da Silva
Cenotécnico e Maquinista: Alexander Peixoto da Silva
Camareira: Cristiane Ferreira da Silva
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Fotos e Vídeos da Residência Voo Livre | Sonho Manifesto – Sesc Pompeia: Cacá Bernardes
Fotos da Residência Voo Livre | Sonho Elétrico – CPT – Sesc Consolação: Aristeu Araújo
Fotos do Processo Criativo e Espetáculo Sonho Elétrico: Ethel Braga
Fotos do Espetáculo | CCBB BH: Edgar Kanaykõ Xakriabá
Programação Visual: Pablito Kucarz
Mídias Sociais: Kalindi D’Elia
Imagens e Registro Videográfico SP: Elisa Mendes
Imagens e Registro Videográfico BH: Felipe Alicate
Assessoria de Imprensa em Brasília: Carla Spegiorin| Âncora Comunicação
Produção Local em Brasília: Milca Luna – Maré Cheia Produções
Criação e Produção: Companhia Brasileira de Teatro
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Informações ‘Sonho Elétrico
Local: Teatro I do CCBB Brasília
Data: 16 de Abril a 3 de Maio • quinta a domingo quinta, sexta e sábado – 20h • domingo – 18h
Classificação Indicativa: 14 anos
Duração: 90 minutos
Ingresso: Compre Aqui




