Texto sensível de Morillo Carvalho presta homenagem ao jornalista, dramaturgo, teatrólogo e comediante Alexandre Ribondi.
Ribondi era uma figura emblemática do Distrito Federal. Eu o conheci brevemente, em algumas aventuras notívagas do bom e velho Bar Beirute. Além disso, era leitor fiel das crônicas dele no Correio Braziliense. Dono de um humor sutil e de um sarcasmo brilhante, animou a cena teatral brasiliense dos anos 80/90.
O espetáculo percorre a história do homenageado de forma bem-humorada. Traça a trajetória dele, do interior do Espírito Santo, na infância, à fase adulta em Brasília. Faz isto de forma cronológica, mas não linear. O elenco está bem equilibrado, com todos eles se revezando no papel do homenageado e das pessoas que fizeram parte da vida dele.
O figurino é simples e o cenário bem enxuto, mas profundamente eficaz. O contraste do preto com amarelo é bem simbólico dos estados de espírito humano: às vezes tristeza (preto) e outras alegria exuberante (amarelo). Outro ponto digno de atenção é a trilha sonora, toda com canções compostas por autores brasilienses. Assim, as músicas sublinham momentos importantes. Tanto as atrizes quanto os atores cantam muito bem. Portanto, é outro deleite aos sentidos ouvi-los cantando.
Além de tudo isso que foi dito, a iluminação garante o clima do espetáculo. Vários momentos de escuridão total colocam a plateia em suspenso e preparam para as surpresas subsequentes.
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“Felicidade Invisível” faz várias homenagens Ribondi
Ribondi foi preso e torturado, viveu muitos anos no exterior, principalmente em Lisboa. Cobriu a invasão dos EUA ao Iraque como repórter do Correio Braziliense, passou por várias capitais da Europa.
Detalhe pessoal de fora do espetáculo: encontrei-me com ele no Beirute logo depois que retornou de Portugal. Na mesa, surgiu a pergunta: por que resolveu retornar? Ele, com aquela ironia fina que lhe era peculiar, respondeu: percebi que estava raciocinando como um lusitano e tinha de retornar quando um amigo brasileiro foi me visitar e perguntou onde era o apartamento que eu morava. Eu respondi que o prédio ficava na metade da rua. Ele perguntou: e como vou saber onde é a metade da rua? Eu respondi: vá até o final e volte.
Depois completou: Na frente do prédio onde morava, havia um posto de combustível. Por que não dei esta referência? Percebi, então, que estava pensando da mesma maneira absolutamente literal que os portugueses. Foi a gota d’água.
Ao final do espetáculo, a plateia ainda tem outra surpresa, mas esta fica para quem for assistir. É bem interessante o que o Morillo propõe. Enfim, uma belíssima homenagem a este capixaba/brasiliense, artista de primeiríssima linha. Melhor ainda que a peça está no espaço que ele, junto com alguns amigos, investiu seus últimos anos.
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Ficha Técnica
Dramaturgia Adaptada e Direção Geral: Morillo Carvalho
Direção de Movimento e Coreografias: Irina Buss
Assistência de Direção: Helen Cris
Produção: Luli Neri
Produção e Imprensa: Drops Culturais Cultura e Comunicação
Elenco: Ana Elisa Santana, Carol Esteca, Edward Brando, Isabela França, Irina Buss, Jupiter Rodrigues, Luiza Melo, Morillo Carvalho e Tai Neri
Operação de Luz: Rui Miranda
Cenografia, Direção de Arte e Arte Gráfica: Morillo Carvalho
Fotos de Divulgação: Isabela França
Realização: Cia Ruiva de Teatro Ribondiano – Casa dos Quatro
Informações “Felicidade Invisível”
Local: Teatro Ribondi – Espaço Multicultural Casa dos Quatro
Data: 11 e 12 junho – 20h • 14 de junho – 19h
Classificação Indicativa: 14 anos
Ingresso: Clique Aqui




